A séria americana All her fault, bastante falada no início desse ano, trata de um assunto importante para a segurança de alimentos: a alergia alimentar.
Sem querer trazer spoilers da série, a ideia aqui é discutir a alergia à soja. Quando pensamos na soja, notamos que está presente em muitos alimentos preparados, suplementos proteicos, produtos vegetarianos (substitutos de carne) e em alimentos processados, na forma de estabilizantes ou emulsificantes, além de tofu, molho shoyu e outros.
A soja é bastante conhecida na nossa dieta principalmente pelo óleo de soja, mas pesquisas da última década, inclusive de grupos brasileiros, já demonstraram que no óleo de soja não é possível detectar quantidades da proteína alergênica da soja. Esse assunto já foi tratado em alguns artigos aqui no blog:
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A alergia à soja é uma reação imunológica exagerada às proteínas da soja, comum em bebês e crianças. Os sintomas podem se manifestar como reações na pele – urticária, inchaço e formigamento nos lábios; problemas digestivos como vômitos e diarreia, e alterações respiratórias como chiado e tosse. Casos graves podem causar anafilaxia, inclusive levando à morte caso não sejam controlados a tempo. Recomenda-se que a pessoa alérgica esteja sempre com epinefrina na forma de “caneta injetora”.
Os sintomas podem começar minutos ou até horas após a ingestão ou contato com a soja.
A legislação brasileira sobre alérgenos em alimentos é regida principalmente pela RDC nº 727/2022 da Anvisa, que revogou a antiga RDC 26/2015. É obrigatória a declaração da presença de principais alimentos causadores de alergias nos rótulos de alimentos embalados. A rotulagem deve destacar ingredientes alergênicos, derivados e a possibilidade de contaminação cruzada, com frases como “Alérgicos: Contém…” e a soja faz parte dessa lista de alergênicos cuja declaração é obrigatória.
Para evitar as reações alérgicas é imprescindível a leitura dos rótulos. Quando constar a soja na lista de ingredientes, ou derivados de soja, como proteína hidrolisada de soja, ou ainda a indicação de que pode conter soja, esses alimentos não devem ser consumidos pelos alérgicos.
A alimentação em restaurantes ou em outros locais com a possibilidade de reação cruzada deve ser avaliada quanto aos riscos de reação.
É importante destacar que pessoas podem ter sensibilidade diferente ao alérgeno, com reações mais brandas ou mais graves e, portanto, cada caso precisa ser avaliado e acompanhado de perto pela pessoa, família e médico.
Imagem: Polina Tankilevitch







