5 paradoxos da cadeia de alimentos: entendendo as contradições do sistema e os desafios da segurança de alimentos

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Quem atua na área de alimentos sabe da sua complexidade e conhece na prática alguns dos desafios da cadeia produtiva. Quem já parou para imaginar quantos quilômetros um alimento pode percorrer até ser consumido conclui rapidamente que manter sua qualidade e segurança e também a credibilidade das informações ao longo dos elos é, no mínimo, desafiador.

A cadeia de alimentos conecta produção primária e seus territórios rurais com os sistemas produtivos que incluem indústria, transporte e armazenamento e seus desafios de logística até alcançar os consumidores através dos diversos tipos de pontos de venda. Lembrando que as embalagens em todos os seus formatos acompanham todo esse caminho.

Toda essa complexidade traz para a cadeia de alimentos um caminho cheio de paradoxos: global e local, industrial e rural, tecnológico e profundamente humano. Reconhecer essas aparentes contradições talvez seja um dos caminhos para construir sistemas alimentares mais seguros, transparentes e resilientes.

É claro que a produção de alimentos com toda sua dimensão tem suas particularidades, mas podemos elencar aqui 5 grandes paradoxos característicos de quaisquer segmentos da cadeia! Vamos a eles:

1 – Produzimos mais alimentos do que nunca — mas ainda existe fome

Aumento de produtividade impulsionado pelo uso de tecnologias e globalização fizeram a produção global de alimentos crescer de forma expressiva nas últimas décadas.

Ainda assim, centenas de milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar, segundo a Food and Agriculture Organization (FAO). Neste mapa interativo da FAO podemos conhecer os dados de insegurança alimentar ao redor do mundo.

O paradoxo aqui é evidente: não é apenas um problema de produção — é um problema de distribuição, acesso e gestão da cadeia alimentar, incluindo a gestão de desperdício ao longo de toda a cadeia.

2 – A cadeia de alimentos é global — mas o alimento nasce local

Existem as multinacionais e as gigantes do mercado, mas muitas delas dependem de propriedades rurais, em sua maioria médias e pequenas, ou mesmo familiares.

A cadeia alimentar começa de forma localizada: em uma propriedade de um território específico, sob determinadas condições climáticas e produtivas.

Esses elos menores podem estar também na ponta, mais próximos dos consumidores: não só os grandes varejistas são responsáveis pela distribuição de alimentos para a população, mas algumas regiões e públicos específicos ainda frequentam as feiras locais.

Por isso não podemos deixar de olhar para esses personagens tão importantes da cadeia de alimentos.

Ou seja, o paradoxo aqui é que o sistema alimentar pode ser global, mas a origem e muitos pontos de venda continuam sendo locais e influenciados pelas características culturais daquela região.

3 – O controle dos processos nunca foi tão robusto — mas a percepção de risco nunca foi tão alta

Conhecer e garantir as características do produto a fundo, mediante controle de processos, análises laboratoriais, programas preventivos e controle de perigos, além da procura por padrões internacionais é tendência nos últimos anos, assim como a percepção de riscos à saúde.

Discussões em torno da percepção de riscos e sobre o envolvimento da gestão são pautas de normas, documentos de referência internacionais e de conceitos de cultura de segurança de alimentos.

Riscos além dos operacionais, envolvendo o contexto da empresa e os riscos de Saúde Pública estão sendo colocados à mesa. O envolvimento da população em relação aos riscos também acompanha a globalização dos alimentos.

Sendo assim, podemos perceber que, mesmo com sistemas de controle mais avançados, mais atenção e percepção de risco surgem na sociedade.

4 – Quanto mais tecnologia na cadeia de alimentos, mais percebemos sua complexidade

Atualmente temos disponíveis ferramentas avançadas para rastreabilidade, monitoramentos e inteligência de dados, mas tudo isso nos revela a quantidade de detalhes, informações relevantes e variáveis que podem mudar as decisões e os caminhos possíveis da produção.

Ou seja, usamos a tecnologia, mas continuamos tendo que dominar os processos, suas nuances e desafios, além de continuar dependendo de uma palavra-chave na cadeia produtiva: a confiança nas informações geradas.

Concluímos que, apesar da tecnologia, continuamos valorizando a simplicidade de processos simples e bem executados, a capacitação das pessoas e a responsabilidade humana nas tomadas de decisão!

5 – O consumidor quer saber mais sobre o alimento — mas está cada vez mais distante da produção

Com todo esse alcance e globalização dos produtos e suas matérias-primas, muitos consumidores estão mais longe da cadeia primária e até dos processos, e talvez até por isso exista uma cobrança maior em relação à:

– origem dos produtos;

– confiança das informações (rastreabilidade) e

– sustentabilidade.

Também há interesse por outras informações, como bem-estar animal, por exemplo, nos casos que envolvem os alimentos de origem animal.

Espero que tenham gostado desses 5 paradoxos e adoraria que vocês acrescentassem outras contradições que percebem na nossa área!

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