Látex na indústria de alimentos. Afinal, ele é permitido?

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latex_proibido

Qual a relação entre Látex e alimentos?

Recentemente muitos estudos têm associado a alergia ao látex com a alergia a alimentos. A hipersensibilidade para alguns gêneros alimentícios em pacientes alérgicos ao látex tem sido confirmada na literatura pela descrição de casos de anafilaxia após ingestão, principalmente de frutas, que ocorreu devido a presença de reações cruzadas entre os antígenos do látex e os contidos nestes alimentos.

Vários estudos e trabalhos publicados nos últimos 15 anos, comprovam a Síndrome látex-fruta, que é a reação cruzada do látex com algumas frutas, devidas à existência de antígenos comuns, ou mesmo à presença no látex de uma lisozima, polipeptídio que possui funções enzimáticas e tem similaridade com as lisozimas das frutas.

Esta figura exemplifica bem este tema: 11% dos alérgicos a frutas (banana, abacate, kiwi, pêssego, figo, etc.) tem risco de reação ao látex, e 35% dos alérgicos ao látex apresentam o risco de reagir a um (ou mais) destes alimentos.

alergias_cruzadas

Látex na indústria de alimentos, afinal, é permitido?

Antes de tudo, precisamos entender que do ponto de vista de contaminação química (migração), o látex natural é permitido na composição de embalagens e equipamentos em contato com alimentos, conforme Resolução nº 123, de 19 de junho de 2001 que aprova Embalagens e Equipamentos Elastoméricos em Contato com Alimentos. O látex está na Lista Positiva de polímeros elastoméricos. O primeiro da lista positiva é a Borracha Natural, que significa o mesmo que, Látex natural.

Veja o fragmento desta resolução:

borracha_natural

Entretanto, após a publicação da RDC 26/2015, e de acordo com o entendimento desta legislação, o uso de equipamentos e materiais contendo látex pode promover o risco de contaminação cruzada para o alimento, devendo então ser declarado como “ALÉRGICOS: PODE CONTER LÁTEX NATURAL”.

Sendo assim, entendo que a partir deste momento, a única maneira de não declarar o Látex no rótulo, é garantir que não ocorra contaminação cruzada, durante a fabricação de produtos. Em outras palavras, não poderá ocorrer o contato de materiais de látex com os ingredientes durante a estocagem e o processo.

Como fazer isso?

1- Listar todos os materiais que são de contato direto com os ingredientes (Ex. tubulação, recipientes, utensílios, gaxeta, luvas, etc.)

2- Pesquisar composição de cada um através de solicitação da informação ao fornecedor ou, como segunda opção, pesquisa na internet do material técnico destes produtos (Ex. consulta nos próprios sites da empresa). Esta lista é a base fundamental para se conseguir um ambiente livre de látex na fabricação.

3 – Os materiais que são de látex deverão ser substituídos ou totalmente afastados.

Impedindo o contato do látex com os ingredientes/produto alimentício, não será necessário rotular por exemplo “ALÉRGICOS: PODE CONTER LÁTEX NATURAL”.

 

Quando devo declarar o látex no rótulo do produto?

Somente quando se comprova a existência do contato direto entre materiais de látex e os ingredientes/produtos, ou seja, quando existir a possibilidade de contaminação cruzada. Uma análise de risco deverá ser realizada, e se não for possível a remoção/substituição do material de látex, a declaração do Látex Natural no rótulo deverá ser realizada, conforme preconizado na RDC 26/2015: “ALÉRGICOS: PODE CONTER LÁTEX NATURAL”.

 

 

Referências bibliográficas:

http://latexallergyresources.org/

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-52732002000100010&script=sci_arttext

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-70942003000100012&script=sci_arttext

http://foodsafetybrazil.org/publicada-resolucao-sobre-rotulagem-de-alimentos-que-causam-alergias-alimentares/

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35 comentários “Látex na indústria de alimentos. Afinal, ele é permitido?”

  • Avatar photo Gabriela Arraes disse:

    Então poderíamos usar as luvas de vinil como opção?

    • Avatar photo vanessa cantanhede disse:

      Sim, já que não contêm proteínas do látex e é permitida para contato com alimentos conforme consulta às legislações aplicáveis:
      Há três denominações conhecidas para esse tipo de material. O mais comum é cloreto de polivinila (PVC), mas também pode ser conhecido como policloreto de vinil ou cloreto de vinila. Esta substância consta na lista positiva da legislação RDC 56/2012, ou seja é permitida para contato com alimentos, entretanto apresenta restrição: Cloreto de vinila – LC (limite de composição) = 1 mg/kg de PT ou LME (Limite de migração específica)= ND (LD = 0,01 mg/kg). Também, está na lista positiva da RDC 123/2001 Cloreto de vinila: LC (limite de composição) > 1 mg/kg

      • Avatar photo Gibraltar Maciel disse:

        O bombom que comprei aqui em Lisboa, OURO BRANCO, da Lacta diz que o alimento contém latex natural. Então agora andamos a comer cola? Já não chega a baleia que tinha plásticos na barriga encontrada morta na Tailândia? Eu hein? Como autorizam isto? Bombom com cola? Não. Obrigado.

  • Avatar photo Reciane Horne Correia disse:

    E existem análises que possa ser realizada para identificar este residual do vinil ou até mesmo o látex?

    Se eu tenho contato do látex com o produto, ex: utilizar luvas na seleção de produtos antes da embalagem final, podemos validar nosso processo, comprovando através de análises que não há este contaminação cruzada?

    • Avatar photo vanessa cantanhede disse:

      Olá Reciane,
      Relacionado ao Vinil, não trata-se de residual que causará uma reação alérgica, mas sim o limite máximo do Cloreto de vinila que pode migrar para um alimento. Para esta substância existe análise de migração realizado no material a fim de verificar se atende ao limite estabelecido na legislação.

      Em relação ao látex, as proteínas presentes neste material podem ocasionar reações alérgicas. Caso existisse metodologia de análise de resíduo da proteína do látex em matriz alimentar, você poderia sim pensar em validação. Entretanto, considero mais simples, seguro e econômico a substituição deste material por outro.

  • Avatar photo ana karoline yoshioka disse:

    Olá Vanessa,
    Obrigada pelo esclarecimento do ”uso luvas de vinil” uma outra opção que vejo tambem são as luvas de nitrilica (borracha sintética), voce concorda?
    at.

  • Avatar photo Francieli disse:

    Em relação as luvas de látex nitrílico, elas apresentam risco de contaminação por alergênico?

  • Avatar photo Cibele disse:

    Se o meu fornecedor declara que na matéria-prima “Pode conter Látex”, por mais que em meu processo não tenha látex, será necessário declarar em rotulagem?

  • Avatar photo Maria Lucia Madariaga disse:

    Se uso luvas de látex na manipulação do peixe congelado tenho que colocar a declaração de alérgicos no rótulo ?

  • Avatar photo Juliane disse:

    Bom dia,

    Gostaria de saber se devo declarar a presença de latex no caso de o meu produto ser uma das frutas relacionadas acima, destaco que não utilizo nenhum material com latex no processo.

  • Avatar photo Lucimary Reis disse:

    Comprei um panetone e tava escrito: pode conter látex natural tem perigo de ingerir? ou é melhor descartar, ou então devolver no mercado onde comprei?

    • Avatar photo Juliane Dias disse:

      Oi Lucimary,
      Se você não tem alergia à látex, não há nenhuma restrição. Os fabricantes fazem este aviso para pessoas que tem esta restrição. Possivelmente neste caso os manipuladores de alimentos utilizam luvas de látex e devem tocar no produto, o que pode levar a uma “contaminação” do panetone.
      Juliane

  • Prezada Vanessa
    Muito interessante sua exposição. Trabalho com ensaios de alimentos e fomos procurados por uma empresa que fabrica luvas de látex para saber da possibilidade da realização de ensaios que comprovem ou não a migração do látex alergênico para o alimento. Eles adquiriram um kit de detecção imunoenzimático da Estônia, porém o mesmo foi desenvolvido especialmente para luvas e não para os alimentos. Estamos tentando adaptá-lo mas não temos muito no que nos basear. Você conhece algo a respeito ou poderia nos indicar quem poderia ajudar? Obrigada e agradeço pela resposta.

    • Avatar photo cintia malagutti disse:

      Olá Lenita, boa tarde!

      O kit da Icosagen – FITkit tem aplicações para medir alérgenos de látex em produtos acabados ou em diferentes fases ao longo da linha de produção, para uso em controle de contaminação de produtos sintéticos. Pelo menos essa é a informação do fabricante.

      Abraços.

      Cíntia

  • Avatar photo Amanda Pereira disse:

    Olá, Vanessa!
    Estou com uma dúvida… Trabalho em uma indústria de alimentos, onde, os colaboradores da equipe de limpeza utilizam luvas e borracha natural, com revestimento interno em algodão flocado para realizar algumas atividades como retirada de lixo por exemplo, mas não tem contato direto com o produto. É necessária a substituição dessa luva? A mesma equipe em algumas atividades tem como opção usar luvas nitrílicas que também estou com dúvidas se eles podem usar… Estamos confeccionando o pop de higiene das instalações e móveis e chegamos no detalhe da luva… Somos uma indústria de farinha de trigo.

    • Avatar photo vanessa cantanhede disse:

      Olá, a declaração é mandatória se existir o risco de contaminação cruzada látex X alimento. Se fosse manipulação direta da luva no alimento, ou se fosse um equipamento de latex em contato direto com alimento, aí sim seria necessária a declaração. Um abraço!!!

  • Avatar photo Adriana Souza disse:

    Boa tarde,
    Gostaria de saber se os elásticos (liguinhas de elásticos) para amarrar pamonha, pode ser utilizado para amarrar as pamonhas? Pois na composição dizer que é borracha natural = látex natural e os elásticos não são alimentícios!

  • Avatar photo CLAUDIA SANTOS disse:

    MINHA FILHA TEM ALERIGIA AO LATEX(OVO, INTOLERANCIA A LACTOSE)VI Q FRUTAS TEM REAÇAO CRUZADA! EXISTE ALGUMA FRUTA Q E LIVRE, E PODE SER CONSULMIDA SEM MEDO?

  • Avatar photo Maurício Benjamim Schütz disse:

    Boa noite, e no caso de fabricante de embalagens para alimentos, o mesmo ocorre. Não tem contato direto com alimento, porém, com a embalagem. Será que devemos mesmo assim substituir para conseguir se enquadrar na escola 26 na integralidade?

  • Avatar photo Thamiris Langue Mysczak disse:

    Olá,
    Vim aqui porque fiquei curiosa com o aviso num rótulo de produto. Muito bom artigo!

    Mas gostaria de saber, desculpe a ignorância, se não há alimentos que naturalmente contenham látex, como por exemplo a jaca. Ou aquele visco da jaca nada tem de semelhante com látex?

    Obrigada.

  • Olá Vanessa, uma dúvida, se o produto contém látex na lista de ingredientes, não deveria ter o alerta de alergênico na embalagem?

  • A ALERGIA DA PROTEINA DO LATEX OCORRE SÓ COM HOMEM?
    E QUANTO AOS SERINGUEIROS NATIVOS DA AMAZÔNIA QUE EM CRISES DE ALIMENTOS SE ALIMENTAM DO PRÓPRIO LEITE COLHIDO D SERINGUEIRA? COMO ELES PREPARAM O LEITE COLHIDO DA SERINGUEIRA PARA COME-LO?

  • Avatar photo Luan Max disse:

    Muito informativa sua publicação! Parabéns pelo conteúdo!

  • Avatar photo Sandra Costa disse:

    Eu comprei um xarope escrito alérgico contém látex eu nunca vir tomei um susto seu posso usar esse xarope mesmo tendo essa informação?

  • Avatar photo Soraia Marangoni disse:

    Olá!
    Eu sou profissional da saúde e desenvolvi a Síndrome Látex-Fruta há cerca de 20 anos (alergia ao látex cruzada com manga, maracujá, abacate e mandioca). Confesso ser um cotidiano desafiador, pois há pouca informação sobre o tema.
    Portanto, quero agradecer e parabenizar pela iniciativa de se tratar esse assunto tão importante.
    Muito obrigada!

  • Avatar photo Reginaldo santos disse:

    Alguém por favor?

    Látex natural em suplementos musculares, contém derivados broto de bambu ou madeira?
    Essa mistura em suplementa está dando tudo de ruim em estômago.

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