Atualização da SQF: Palova Dieter Marques conta o que esperar do Código SQF Edição 10

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Para acompanharmos a onda de atualizações que está chegando em normas e legislações, nada melhor do que falar com quem realmente entende disso na prática, não é mesmo? Para falar da atualização do código SQF Edição 10, convidei a representante LATAM do SQFI (Safe Quality Food Institute), Palova Dieter Marques, que nos contou um pouco sobre as novidades que virão.

1 – A nova edição do SQF vem sendo tratada como mais do que uma atualização. Na sua visão, quais as principais mudanças desta nova edição?

A Edição 10 do SQF representa a próxima evolução do Código SQF, concebida para fortalecer a confiança, melhorar a priorização de riscos e consolidar a segurança de alimentos como uma prática empresarial contínua, e não como um evento de auditoria anual.

A Edição 10 responde à forma como os riscos à segurança de alimentos se manifestam atualmente. Os recalls e as interrupções decorrem cada vez mais de falhas culturais, mudanças não gerenciadas e sinais de alto risco ignorados, em vez de procedimentos ausentes. A Edição 10 aborda essas realidades diretamente.

Dentre as principais mudanças do Código SQF Edição 10, eu pontuaria:

  • Cultura de Segurança de Alimentos: A cultura deixou de ser um conceito abstrato. As unidades devem avaliar, fortalecer e demonstrar como os valores de segurança de alimentos são compreendidos e praticados em toda a organização.
  • Gestão de Mudanças: As unidades devem gerenciar os riscos de forma proativa sempre que ocorrerem mudanças. Alterações em equipamentos, fornecedores, formulações, processos e equipe exigem controles definidos e baseados em risco.
  • Monitoramento Ambiental Baseado em Risco: Os programas devem refletir os riscos específicos de cada unidade, em vez de seguir expectativas genéricas. Uma análise de risco passa a ser obrigatória.
  • Pontuação de Auditoria Ponderada por Risco: Constatações de maior risco possuem maior peso. O modelo de pontuação reforça a prevenção e a priorização, em vez de tratar todos os desvios da mesma forma.
  • Código com Estrutura Digital Prioritária: A Edição 10 será disponibilizada em um formato moderno e online, desenvolvido para proporcionar maior clareza, facilidade de navegação e aplicação no dia a dia.

 2 –  O que motivou essa edição: estamos respondendo a falhas do sistema ou à evolução do mercado global de alimentos?

Vários aspectos motivam uma nova edição, dentre eles necessidades de stakeholders e adequações a novos requisitos de benchmarking do GFSI, mas além disso outros pontos que motivaram a edição 10 são:

  • Direcionar a atenção aos riscos com maior potencial de gerar recalls, danos à marca e preocupação dos clientes
  • Alinhar os resultados das auditorias de forma mais próxima ao desempenho real em segurança de alimentos
  • Reforçar a confiança junto a varejistas, compradores e parceiros comerciais
  • Conduzir as organizações da preparação para auditorias à liderança contínua em segurança de alimentos ao longo do ano

Em resumo, a Edição 10 protege os produtos, as marcas e ajuda as empresas a gerenciar os riscos que realmente impactam seus negócios.

3 – Um dos pontos mais comentados é a cultura de food safety como algo mensurável. Na prática, o que isso muda para as empresas?

A Edição 10 do SQF reflete a crescente conscientização do setor de que a segurança de alimentos não se limita ao cumprimento regulatório, mas envolve a criação de uma abordagem abrangente e proativa para proteger os consumidores. Especificamente, a Edição 10 exige planos robustos de cultura de segurança de alimentos que vão além das listas de verificação tradicionais. As organizações agora devem demonstrar estratégias integradas para comunicação eficaz, treinamento abrangente dos colaboradores, mecanismos sistemáticos de feedback e processos de melhoria contínua, dentro de um plano de avaliação da cultura de segurança de alimentos.

Como já mencionado, a cultura deixa e der um conceito abstrato e para demonstrá-la as empresas deverão apresentar como a compreensão e implementação do tema se encontram em toda a organização.

Para apoiar nesse processo, o SQF já publicou um Guia para Plano de Avaliação da Cultura de Segurança de Alimentos, que é um excelente recurso para começar.

4 – A Edição 10 reforça uma abordagem mais baseada em risco e integrada. O que isso muda na rotina das auditorias? Você acredita que isso aumenta a subjetividade do auditor?

O Código SQF sempre teve sua estrutura desenvolvida sobre princípios sólidos científicos baseados em risco, pois nem todas as constatações, situações, estruturas possuem o mesmo nível de risco. Nesse caso tanto as empresas, ao implementar seus sistemas, quanto os auditores, ao avaliar os sistemas, devem entender que constatações relacionadas a atividades de maior risco devem ter um maior peso, maior atenção a ações de mitigação ao risco, reforçando uma cultura de prevenção e a priorização.

5 – Há discussões sobre mudanças no modelo de auditoria e até no sistema de pontuação. O que podemos esperar nesse sentido?

Na edição 10 introduzimos uma nova forma de auditar, pensando em trazer o auditor mais para a realidade da empresa, com o modelo de auditoria vertical, iniciada a partir de um exercício de rastreabilidade que torna a amostragem mais aleatório e efetiva. Saímos de um modelo de auditoria por “checklist” para um modelo de auditoria por “rastreabilidade”.

A pontuação de auditoria na Edição 10 foi reformulada para valorizar aquilo que realmente protege o negócio e fortalece a segurança de alimentos no dia a dia. Surge o conceito de “Cláusulas Essenciais”, com maior peso, que incluem, por exemplo: alergênicos, sanitização, aprovação de fornecedores e monitoramento ambiental. O modelo direciona os esforços das empresas para os pontos de maior impacto e risco real. Mais do que uma mudança na forma de pontuar, a Edição 10 cria uma oportunidade para que as organizações demonstrem maturidade, priorizem recursos de forma mais estratégica e fortaleçam a confiança de clientes, varejistas e parceiros comerciais, com resultados que refletem a efetividade do sistema e não apenas a preparação para o dia da auditoria.

6 – O Edição 10 traz uma proposta mais digital. Como você considera que isso impacta certificação e auditorias?

A proposta digital-first não tem impacto tão significativo nas auditorias, mas sim na experiência dos usuários com os novos Códigos SQF que se encontram em ambiente totalmente digital. A Edição 10 é disponibilizada por meio de uma plataforma inteligente de normas, com estrutura digital desenvolvida para oferecer maior clareza, acessibilidade em múltiplos idiomas e referências cruzadas, permitindo navegação por cláusulas, identificação clara dos requisitos Mandatórios e Essenciais, interpretação consistente entre mercados globais e opção de impressão e download em PDF.

7 – Se uma empresa pudesse fazer apenas uma ação hoje para se preparar para o Edição 10, qual seria?

As auditorias da edição 10 só vão iniciar após Janeiro de 2027, em data a definir. Comunicaremos em nossas redes sociais, mas até lá o período não deve ser tratado como um tempo de espera e sim como uma oportunidade para corrigir o que um futuro auditor poderá identificar. Sem dúvida eu recomendaria iniciar com uma Auditoria de Diagnóstico em relação aos requisitos da Edição 10. Avalie com maior atenção os programas que envolvem as Cláusulas Essenciais (Core Clauses) e avalie, honestamente, se sua documentação demonstra que o sistema está efetivamente em funcionamento ou apenas comprova a existência de registros. Fortaleça as reuniões de análise crítica pela direção para evidenciar análises reais de tendências e tomada de decisões. Reestruture as auditorias internas para que deixem de focar apenas a verificação de checklists e passem a adotar uma abordagem baseada em risco.

As unidades que tratarem a transição como uma oportunidade de melhoria do sistema chegarão à sua primeira auditoria da Edição 10 em uma condição muito melhor do que aquelas que deixarem para agir apenas no último trimestre de 2026.

Se ainda houver dúvidas, entre no nosso site (www.sqfi.com), baixe nossos recursos gratuitos (check list, guias, folhas dica, vídeos no youtube) e/ou procure um curso oficial no site do SQFI e prepare sua equipe!

8 – Se você tivesse que resumir a Edição 10 em uma palavra, qual seria e por quê?

Podem ser duas? Prevenção e priorização! Por que toda a Edição 10 foi pensada para ajudar as organizações a despender seu tempo, energia e recursos no que realmente protege a segurança dos alimentos e a integridade das marcas.

Para finalizar deixo um convite para vocês participarem da sessão em português do Webinar Oficial promovido pelo SQFI sobre as atualizações da Edição 10, que ocorrerá no dia 16 de julho 2026.

Agradecemos à Palova pelas atualizações. O mercado aguarda e se prepara para as adequações!

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