Participei recentemente do III Congresso de Segurança e Qualidade de Alimentos (CSQA), na Unicamp e saí com uma reflexão clara: estamos evoluindo rapidamente em tecnologia e conhecimento, mas também ampliando a complexidade dos desafios.
O III CSQA incluiu mini-cursos, palestras internacionais e apresentação de pôsteres científicos.
Aqui no blog serão 4 artigos baseados nas apresentações que assisti, resumindo estes dias tão ricos!
Mais do que apresentar soluções isoladas, o congresso trouxe algo essencial, uma visão sistêmica, que conecta regulamentação, inovação, sustentabilidade e saúde pública.
Codex, comércio internacional e o peso da ciência
A primeira palestra foi ministrada por Farid El Haffar, oficial das Nações Unidas (ONU) e atualmente trabalhando na Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), com o tema: O Impacto do Codex no comércio e na segurança dos alimentos.
Ficou evidente o quanto o Codex Alimentarius FAO-WHO se mantém atuante e influencia decisões muito além da academia. Suas diretrizes são a base para legislações nacionais e, principalmente, para acordos comerciais globais.
Países que fazem parte da Organização Mundial de Comércio (OMC) precisam justificar tecnicamente qualquer desvio em relação a esses padrões, o que reforça o papel da ciência como linguagem comum nas relações internacionais.
Isso nos leva a uma reflexão importante: investir em ciência não é apenas desenvolvimento interno, é também estratégia de posicionamento comercial global.
Outro tema muito interessante foi tratado pelo Dr. Erick Lins, auditor fiscal federal agropecuário, coordenador de gestão de inovação técnica do MAPA. Ele apresentou a rede LFDA, composta por 6 laboratórios de Defesa Agropecuária, que realizam a fiscalização, auditorias, monitoramento e análises investigativas de fraudes e contaminações de produtos agropecuários.
Discorreu sobre os investimentos em inovação analítica, projetos de produção de padrões e controles, ensaios de proficiência, garantindo a qualidade analítica, mesmo quando não há padrões comerciais disponíveis.
E fica a reflexão: como transformar todo esse conhecimento em impacto real na ponta da cadeia — e na vida das pessoas?














